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O
MBA (Master in Business Administration),
quem diria, pode virar
comodity. Todo mundo vai ter o seu. "Atualmente ele ainda é um
diferencial, mas daqui a três ou quatro anos, não será mais dessa forma, assim como aconteceu com o curso superior e o de pós-graduação", diz Renato Bruno, professor de pós-graduação da Fundação
Armando Álvares Penteado (FAAP), que fez MBA em gestão de negócios.
Segundo
consultores especialistas em gestão de carreiras,
existem dois motivos para isso: o número, cada vez maior, de profissionais
que querem fazer um MBA qualquer, só para
acrescentar o dado ao currículo e o excesso de oferta – estima-se que existam hoje mais de 1.000 cursos espalhados pelo país, os preços variam de R$ 3.700 a R$ 72.000.
Para o consultor José Augusto Minarelli, presidente da Lens e Minarelli, consultoria especializada em recolocação de executivos,
muitas das pessoas que decidem fazer um MBA acreditam que o curso vai mudar
a vida delas simplesmente pelo fato de fazê-lo. E a história não é bem assim. "O MBA não garante e não segura emprego se o profissional
e o curso não forem de qualidade", afirma o consultor.
Bruno
concorda com Minarelli. "A pessoa não pode
achar que o MBA vai levá-lo a um crescimento significativo na remuneração, por exemplo", diz o professor. Segundo ele, o curso
tem que ser encarado mais como experiência e aperfeiçoamento profissional,
do que como estimulante para um futuro aumento de salário. "Os
estudantes têm de aproveitar a oportunidade para adquirir novas habilidades
e conhecimento, além de enriquecimento cultural e networking",
afirma.
Segundo
Renata Perroni, consultora de RH da Manager, quem vai fazer MBA tem que ter em mente por
que está fazendo o curso e de que forma isso vai melhorar sua carreira.
"Ter vivência e experiência também são fatores importantes para
absorver melhor o que é passado durante o curso", explica ela.
Excesso – Outro ponto importante é estar atento às instituições que oferecem os cursos. "Há uma avalanche de MBAs
no mercado Alguns com excelente nível, outros nem tanto", avalia Silvana Case, vice-presidente executiva do grupo Catho, empresa de recursos humanos. A escolha certa irá amenizar o efeito de commodity.
Para
escolher a escola, é preciso atenção, pois o Ministério da Educação e
Cultura (MEC) não avalia os cursos de MBA das instituições. As exigências
para abertura do curso são as mesmas de qualquer outro de especialização:
currículo mínimo de 360 horas e metade do corpo docente formado por mestres
ou doutores. Nada especial, que garanta a
qualidade do ensino.
"O
MBA é um investimento caro e, por isso, é recomendável esperar um pouco
mais e fazê-lo numa instituição renomada do que em uma com qualidade
duvidosa", aconselha Reynaldo Pasqua Filho,
gerente-geral de uma multinacional. Renata reforça a importância da escolha
de uma instituição de primeira linha para fazer o curso: "isso sim
pode influenciar na hora da contratação", acrescenta.
Escolha – Quanto ao
curso, Minarelli diz que, antes de se decidir, a pessoa deve verificar se o programa é adequado às
suas necessidades profissionais, se o corpo docente da instituição é de
qualidade (tem mestrado, doutorado e onde fizeram), ver o grau de
satisfação de alunos e ex-alunos e, se possível, contatar algum
empregador que contratou profissional que tenha feito o curso naquela
instituição.
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